22.10.08

Promoção - Comente e ganhe um ingresso

Sim, eu estou sumida.
Sim, a frequência do blog caiu horrendamente.
Não, não tenho ido ao cinema.
Culpa da Líbero, da Brazucah e do Edição Extra, ok?
E da faculdade também, obviamente.

Seguinte então...
Sexta-feira estréia Última Parada 174, do Bruno Barreto.
A primeira pessoa que comentar nesse blog (se ela existir) ganha um ingresso pro filme.

Vaaaaaaaaalendo...


PS: assim que a gente editar a entrevista que fiz com o Bruno pro Edição Extra, coloco aqui.

15.10.08

Top 10 das choromelas

Incrível como a galera adora fazer listas de tudo quanto é coisa, né?
O jornal britânico Daily Mail resolveu fazer uma lista de dez filmes que mais levam o espectador às lágrimas.

Se você está ovulando, seu time vai de mal a pior, descobriu que é corno, perdeu o emprego, não sabe quem é seu pai, recém terminou um namoro, não tem onde cair morto, é virgem por opção dos outros, e quer sofrer mais um pouco, aí fica a listinha:

1. Bambi (1942)

2. Ghost - Do outro lado da vida (1990)

3. O rei leão (1994)

4. E.T. - o extraterrestre (1982)

5. Titanic (1997)

6. Amigas para sempre (1998)

7. Philadelphia (1993)

8. Uma grande aventura (1978)

9. Meninos não choram (1999)

10. Flores de aço (1989)


Bem, desses o único que já chorei vendo foi O Rei Leão e Meninos não choram.
Temos que concordar que aquela cena da morte da mãe do Bambi é de fazer qualquer emo cortar os pulsos também, né?
Peixe Grande, do Tim Burton também faz chorar pra caramba. Fica a dica.

O resto da minha lista eu já coloquei aqui.

13.10.08

A Última Parada de Bruno Barreto

Eu decidi que não vou mais assistir a um filme e logo depois palpitar sobre. Preciso de uns dois dias para digerir o que vi e ouvi. E isso faz mudar bastante as coisas dentro da minha cabecinha. Violência Gratuita foi assim. Mas a coisa esfriou tanto na minha mente que eu decidi que era tarde demais.
A bola da vez é o Última Parada 174, o filme do Bruno Barreto que pode concorrer ao Oscar. Ou não. Mas daí já merece outra discussão. O fato é que sexta eu assisti a cabine e o debate com o Bruno. Logo após o filme eu estava até bastante impressionada. Mas, no fundo, é sim mais um filme sobre violência. Real ou não. É mais um desses filmes que pode ter como chamada: "As pessoas não nascem podres, a sociedade que as torna podres". E blablablá.
O mais engraçado é que, por uma feliz coincidência, eu assisti ao documentário Ônibus 174, do José Padilha, uns minutos antes de ver a ficção de Barreto. E nada ficou mais evidente do quanto a produção de Barreto é sim uma ficção. Sandro Nascimento não é então um simples marginal, ele é uma pessoa com uma história de vida, e, mais do que isso, uma personagem.
Nessa transformação do real em personagem, o diretor, com o roteirista, Bráulio Montovani, acertaram em cheio na construção de Sandro Nascimento. As pitadas de ficção não podem ser esquecidas de maneira nenhuma. Caso o contrário, corre-se o risco de taxar o filme de falso. Última Parada 174 não é um filme sobre o sequestro do ônibus no Rio de Janeiro, não é um filme sobre os fins, mas sobre os meios.


As relações de cumplicidade entre os personagens e a atitude repressora dos órgãos públicos são partes presentes do enredo. Os traços da vida na favela, como a forte presença da igreja, são detalhes que nos conscientizam do caráter ficcional da obra. Há uma montagem de cenário, no trânsito da periferia com a vida no centro do Rio de Janeiro - com forte ênfase nas histórias de garotos de rua e seus sonhos construídos e destruídos.
Bruno Barreto não fez nenhum pouco de questão de ser fiel às imagens reais do sequestro. Ele enxugou a tragédia em si e deu mais destaque à história, criando uma relação emocional e não só intelectual por parte do cinespectador. Como o próprio diretor disse, Última Parada 174 é "o ponto de vista do ser humano", o que vale no enredo é "a condição humana, e não a condição social". Quanto a isso, Barreto admitiu que o Última Parada 174 é "emocionalmente mais violento" do que os filmes brasileiros do mesmo naipe.
A utilização de atores não-profissionais, com roteiros sem fala, em que há espaços para que os próprios atores preencham, é sentida durante a projeção. Barreto declarou ainda que "a ficção tem mais necessidade de ser verossímil do que o documentário". E que sua escolha foi por uma não-espetacularização da violência. De fato, como disse o cineasta, "se há lágrima, emoção, ela é legítima e não manipulada".
Última Parada 174 é baseado em fatos reais. Mas até aí Cidade de Deus, Era Uma Vez, Tropa de Elite, etc também são baseados em fatos reais, de um modo ou de outro. A diferença é que o filme de Barreto tem um personagem conhecido pela mídia, Sandro Nascimento. Última Parada 174 utiliza de uma história real e da licença poética para construir mais um enredo sobre violência e injustiça brasileira. Mas não é por que é mais uma que a história tem que ser ignorada ou subjugada.
Se há repetição ela não é maléfica, ao contrário, é uma comprovação da evolução de identidade que o cinema brasileiro conseguiu atingir. Se, de fato, o cinema é uma legítima forma de expressão e reflexão, já é tarde demais para lutarmos contra o que o cinema brasileiro hoje projeta ao mundo - a não ser que estejamos aptos a lutar contra nossa própria realidade. (O que não é o caso).

8.10.08

By the sea



Podem falar o que quiserem
Mas eu adoro Sweeney Todd
Sou super fã do Johnny Depp
Pegaria o Tim Burton
(e até a Helena Bonham Carter)

7.10.08

Se eu fosse um filme...

Hoje eu seria...

Corra, Lola, corra (1998)

Porque uma coisa pode ser feita de diversas maneiras.

2.10.08

Entrevista com Bruno Barreto: Ultima Parada 174

Acabo de receber o pressbook do novo trabalho de divulgação da Brazucah, o filme candidato brasileiro ao Oscar, Última Parada 174, do Bruno Barreto.
Ainda não vi o filme, então minhas (egocêntricas) impressões ficam pra próxima. No entanto, abaixo colei algumas partes da entrevista com o Bruno - com as perguntas mais clichês, mas que todo mundo sempre faz. Estou com alguns planos de vídeos e informações mais úteis sobre o filme, mas não prometo nada ainda.
Hoje meu trabalho é só como assessoria de imprensa - no melhor estilo copy&paste.


Como surgiu a idéia de fazer ÚLTIMA PARADA 174?
Em junho de 2000, quando ocorreu o seqüestro do ônibus em plena área urbana no Rio de Janeiro e sua transmissão ao vivo paralisou o Brasil, eu vivia em Nova York. Fiquei sabendo o que tinha acontecido pela imprensa. Em 2002, quando assisti ao documentário Ônibus 174, no qual minha filha trabalhou como assistente de produção, fiquei impactado e liguei imediatamente para o diretor José Padilha. Disse que estava desconcertado e cheio de perguntas, sobretudo quanto à mulher que assumiu Sandro como filho e foi a única pessoa presente ao seu enterro. Por que aquela mulher, tão simples, tão forte, mas também tão machucada, segurando uma rosa vermelha, estava convencida que era a mãe do Sandro?

E o que você descobriu?
Para começar, Padilha me disse que eu tinha acertado na mosca – sem dúvida a vida daquela mulher poderia ser um filme à parte. Depois de pesquisar, descobri que ela tivera um filho chamado Alessandro cujo pai ela não tinha certeza quem era. Todos os dias de manhã, ela saía para o trabalho e deixava o menino com a vizinha. Um dia, ao voltar, a vizinha e Alessandro tinham desaparecido. Ela passou a viver obcecada pela idéia de recuperar o filho. Um dia encontrou Sandro e o ‘adotou’. Fiquei tomado pela idéia de uma mãe em busca de um filho perdido e de um filho que precisava de uma mãe. O drama dessas duas pessoas em busca de afeto e que tentam sobreviver em condições totalmente desfavoráveis poderia acontecer em qualquer lugar e qualquer época – na Inglaterra de Charles Dickens, na França de Victor Hugo, no Brasil, no século XXI.

Como foi o desenvolvimento do projeto?
Com a idéia definida de falar dessa tripla orfandade – de uma mãe órfã de um filho, de um filho órfão de mãe, e ambos órfãos sociais - procurei Bráulio Mantovani. Apesar de ter sido o roteirista de Cidade de Deus que aborda a violência no Rio de Janeiro, na história que eu queria contar, a violência seria apenas pano de fundo, cenário de um drama humano. Nesta abordagem, o episódio do ônibus seria o trágico ápice da trajetória de Sandro, um acontecimento que funcionou como catalisador não apenas de uma tragédia pessoal, mas dos medos de toda uma população. Naquele fim de tarde, no Rio de Janeiro, todo mundo perdeu: o seqüestrador, as vítimas, a polícia e milhares de espectadores que testemunharam o desfecho pela TV.

Você teve algum contato com essa mãe?
Eu não tive, mas o Bráulio sim. Eu não queria esse contato para não ficar refém da realidade. A minha pesquisa foi o documentário, e a partir dele passei a imaginar uma história de ficção tendo por base o impacto que ele me causou.

Houve algum pudor em dar um tratamento ficcional a um fato real tão marcante?De forma nenhuma. Muitas vezes, quando assistimos o noticiário na TV ou lemos os jornais, ficamos em estado de total perplexidade. E na maior parte do tempo, a realidade é totalmente surreal. Ironicamente, muitas vezes, uma abordagem ficcional dos fatos pode ajudar a tentar organizar um pouco a realidade e dessa forma, começar a entendê-la.

A história de Sandro e de sua mãe adotiva estão impregnadas de alta voltagem emocional - rejeição, ódio, amor, a possibilidade (ou não) de redenção. Sem falar que a história de Sandro é tristemente emblemática da trajetória dos menores abandonados, entregues à própria sorte e às leis da rua, com passagens por instituições e, mais tarde, prisões. Além disso, Sandro foi um sobrevivente da chacina da Candelária. Como você lidou com essas questões?
Sem medo de olhar a emoção de frente, não para manipular o espectador, mas na tentativa de radiografar os sentimentos dos personagens principais. O maior desafio foi escapar do melodrama. Eu queria tentar entender o que os personagens principais sentiram e, se possível, propor uma leitura objetiva da emoção sem cair em um resultado frio, cartesiano. Eu não quis reconstruir ou mostrar uma realidade distante, mas criar personagens que provocassem uma identificação e um envolvimento do espectador. Não se pode julgar essas pessoas. Eu não sei quais são as suas necessidades afetivas e as aceitei com todas as suas complexidades e contradições. No caso da chacina da Candelária, por exemplo, toda a filmagem foi feita do ponto de vista de Sandro e o maior desafio foi recriar o impacto do que aconteceu sem um tom espetacular, sensacionalista.
Apesar da carga dramática dos personagens, eles não apresentam um perfil maniqueísta.
Sem dúvida, este é um ponto fundamental. Procurei construir personagens matizados não apenas nesse, mas em todos os meus filmes. Tenho a expectativa de que o público empatize com os personagens e não apenas simpatize. Que compartilhem de suas vivências, sem julgá-los. Há momentos em que você gosta dos personagens, momentos em que você os odeia, e momentos em que você se sente desconfortável pela identificação com quem, supostamente, não deveria. Acho que um bom filme deve provocar esses sentimentos contraditórios. Há ainda uma outra leitura na trajetória de Sandro que me interessa: a promiscuidade hoje em dia entre realidade e ficção. Esta fronteira tênue é o subtexto de ÚLTIMA PARADA 174, ou seja, de como precisamos ser vísiveis, a qualquer custo, para legitimar nossas existências. E foi isso que Sandro fez em suas últimas horas de vida.
De fato, o seqüestro do ônibus foi transmitido ao vivo para todo o Brasil durante seis horas.
Um dos aspectos mais importantes da última seqüência – o episódio do ônibus – é o auge da teatralidade atingida pelo personagem de Sandro. O ônibus com os reféns se transformou no palco daquela macabra performance final de Sandro. Para tornar isso claro visualmente, escolhi filmar todos os exteriores – fora do ônibus – com câmeras de TV, colocando-as exatamente onde estavam quando o fato aconteceu, com um resultado que parecia material de noticiário. E filmei as cenas no interior do ônibus de muitos ângulos, em película, visando uma encenação mais cinematográfica. O resultado foi uma ruptura sutil, mas perceptível entre ficção e realidade. Quando Sandro sai do ônibus usando uma refém como escudo, misturei as cenas de vídeo e filme. A partir desse momento, não era mais possível distinguir entre ficção e realidade – que se misturaram de forma definitiva.

(...)

Alguns filmes brasileiros recentes falam de violência urbana - como Cidade de Deus e Tropa de Elite. Que relação ÚLTIMA PARADA 174 estabelece com esses filmes?
ÚLTIMA PARADA 174 é narrado exclusivamente do ponto de vista dos personagens. Eu queria que o tom épico do filme viesse sobretudo dos sentimentos dos personagens e não da maneira de filmar. Um épico intimista. Nos filmes mencionados, os personagens são mais arquetípicos, a direção mais extrovertida. Gosto muito desses filmes, mas eu diria que são expressionistas – as personagens são olhadas de fora para dentro. Eu quis fazer um filme impressionista.

ÚLTIMA PARADA 174 é seu 18º longa-metragem, que inclui marcos do cinema brasileiro como Dona Flor e Seus Dois Maridos (1974), até hoje, recorde de bilheteria, e O que é isso companheiro, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Qual a relação que você estabelece entre ÚLTIMA PARADA 174 e seus filmes anteriores?
Gosto especialmente de Romance da Empregada e Carried Away. Talvez eu venha a incluir ÚLTIMA PARADA 174 entre meus preferidos. Só o tempo dirá. Sempre preciso de alguns meses para julgar o filme que acabei de fazer. Mas uma coisa está bem clara: filmei com a liberdade de quem está fazendo o primeiro filme. Após 18 longas, sei que o maior perigo da experiência é engessar a liberdade de criação. Acho que com ÚLTIMA PARADA 174 consegui resgatar essa liberdade – filmei de uma maneira bem solta, abri espaço para improvisação, sobretudo com os atores. Foi uma experiência fascinante.

(...)

Em 2000, você realizou uma das odes mais românticas já feitas ao Rio de Janeiro, com Bossa Nova, embalado por música de Tom Jobim. Oito anos depois, você apresenta o oposto daquela situação, com ÚLTIMA PARADA 174.
Os dois lados são verdadeiros. No Rio, a beleza da paisagem e o lirismo da Bossa Nova convivem com os dramas diários dos personagens de ÚLTIMA PARADA 174. De certa forma, também tenho essa dualidade: um lado leve, assumidamente romântico e lúdico. O outro, tragicamente intenso, impulsivo, violento. Acho que se poderia dizer que eu e o Rio temos muito em comum.

1.10.08

Mobilização, internet e cinema

Bem-vindo à MovieMobz!
Agora você faz parte da primeira comunidade online a permitir que você programe a sessão do filme a que quer assistir na sala de cinema. O poder está em suas mãos. Na MovieMobz você pode encontrar filmes clássicos e independentes, conhecer novas pessoas e mobilizar a comunidade para assistir aos títulos de sua preferência, no cinema mais próximo.
Na MovieMobz você pode:
Comentar, criticar e fazer um ranking de seus filmes favoritos
Eleger os filmes que você quer ver ou rever
Encontrar pessoas com interesses em comum por cinema
Criar e se associar a MovieClubes para debater e programar sessões exclusivas
Mobilizar sessões de filmes clássicos e independentes já digitalizados e disponíveis em nosso catálogo
Agradecemos seu cadastro e aproveite ao máximo este serviço.

Na Odisséia de sexta-feira do Unibanco, a sala três projetou filmes mobilizados pelo MovieMobz. Eu já tinha ouvido uns comentários céticos sobre esse projeto e resolvi conferir esse trabalho e sua possível eficácia. O primeiro clássico foi fazer o meu cadastro no site do MovieMobz. Logo em seguida, recebi o email acima e, com o tempo fui fuçando no site e descobri que a coisa pode ser divertida.

É. Eu não tenho amigos =/

Para cinéfilos e desocupados, MovieMobz é um prato cheio. Lembro que o Pimentel (presidente do Conselho Nacional de Cineclubes) comentou sobre a boa intenção do Fabio Lima e do Marco Aurelio com a criação desse site de relacionamento.
Saquei que o MovieMobz é tipo o Orkut, no começo você quer adicionar 1.236 comunidades e 879 amigos. Daí com o tempo você vai selecionando melhor os amigos, as comunidades, os filmes. E quem sabe você até comece a frequentar uma comunidade ou outra. Quem sabe você até vai à alguma sessão mobilizada, coisa e tal.
O negócio funciona assim:


1 - O internauta se cadastra e participa da comunidade de cinéfilos na qual discute filmes, dá notas, comenta e faz críticas
2 - Ele escolhe um filme e contata outros membros para promover a sessão. Outra opção é ver que mobilizações já estão sendo feitas e entrar ou cadastrar seu e-mail para ser avisado quando o filme pretendido tiver uma exibição agendada
3 - O objetivo é reunir o maior número de interessados para promover a sessão. Quanto mais gente, mais barato fica o ingresso
4 - Fechado o grupo, o site reserva a sala de cinema e envia digitalmente a cópia do filme. O preço varia de acordo com o horário, o número de participantes e o dia da sessão
(Informações retiradas daqui)

Conclusão: MovieMobz é sim muito bem intencionado. Não vejo nenhuma pista de lavagem de dinheiro ou industria mafiosa. No entanto, será que funciona? Porque mobilizar virtualmente é fácil. Mas estar presente e colocar o bonde pra funcionar já é mais complicado, mermão. Fica aqui meu apoio moral a esse projeto.

29.9.08

A minha Odisséia de sexta-feira

A Odisséia do Espaço Unibanco está de volta! E nessa sexta eu fui conhecer o esquema que inclui três filmes (com a opção de três salas diferentes), pseudo-balada, café da amanhã, mojitos e uma bavaria. E tudo por R$16,00 a inteira e R$8,00 a meia. A desvantagem? Os filmes foram beeeem mais ou menos.
Eu escolhi a sala1 que incluía o italiano Caos Calmo, um filme surpresa e Amigos, Amigos, Mulheres à parte. Não sei se teria sido melhor ou pior a sala 2 ou 3. Acho que os mojitos, a cerveja e boa companhia foram capazes de me distrair. Um brevíssimo comentário sobre os filmes:

1- Caos Calmo - Um filme sobre o estado emocional de Pietro depois da perda de sua esposa, e a relação com a filha Claúdia e com o mundo a sua volta. Extremamente sensível. Eu gostei bastante até. Atenção para a sutil aparição de Polanski. E para a cena péeessima de sexo.

2- Sempre Bela - O filme é uma "continuação" do clássico A Bela da Tarde (1967). Nunca assisti a A Bela da Tarde - digo envergonhada. E acho que eu já tinha tomado mojitos demais da conta. Fiquei com sono. Mas me pareceu extremamente dispensável.

3- Amigos, Amigos, Mulheres à Parte - Desde American Pie eu não via um filme tão estúpido. Aliás, é com aquele mané do Jason Biggs, além da Kate Hudson. Tonto, machista, inútil. Todas mulheres são objetos sexuais, todos os homens são uns imbecis. Eu não estava esperando mais um filme cult ou coisa assim. Defendo o cinema como distração, mas como distração inteligente, por favor. Nesse as mulheres são classificadas como letras e, no final, o garanhão que fica com a mocinha, e não o bonzinho. Hum, talvez o final eu ache digno.


Conclusão: Cinema é cinema. Sem baladinha, sem alcool, sem paqueras e distrações. Ritual sagrado, ao menos pra mim. A próxima Odisséia será dia 31 de outubro, e eu aceitaria fácil uma madrugada de filmes de terror, por mais clichê que seja. Indico sim. O HSBC Belas Artes também tem o seu noitão. Qualquer cinéfilo merece.

26.9.08

O filme mais importante de 2000 a 2008

Ainda estou sem tempo para postar coisas pseudo-úteis. Então vou postar inúteis mesmo...

Alguém pode me explicar qual o parâmetro da Folha para lista de melhores filmes?
Para começar, defina importante.
Agora me diz se algo chega perto disso:

Qual é o filme mais importante de 2000 a 2008?

"Cidade dos Sonhos" (2001), de David Lynch
"O Pântano" (2001), de Lucrecia Martel
"O Senhor dos Anéis" (2001/ 2002/ 2003), de Peter Jackson
"Edifício Master" (2002), de Eduardo Coutinho
"Cidade de Deus" (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund
"Elefante" (2003), de Gus Van Sant
"A Vila" (2004), de M. Night Shyamalan
"O Segredo de Brokeback Mountain" (2005), de Ang Lee
"Volver" (2006), de Pedro Almodóvar
"Em Busca da Vida" (2006), de Jia Zhang-Ke

A Vila?! Cara, a paródia do Todo mundo em Pânico é melhor do que o original.
Vamos combinar, hein.

22.9.08

Início da primavera e semana da pesada

Eu havia decidido que nem iria postar essa semana. Mas já que eu estou aqui, na penúltima semana do 3º bimestre, apenas enrolando para fazer algum dos meus milhões de trabalhos, aproveito para estreiar uma nova seção do meu blog.

Simples. Eu escolho um artista do meio cinematográfico, de acordo com um tema, e faço uma lista com os três melhores trabalho dele na minha humilde opinião.

Aproveitando o início da tão aguardada (?) primavera, estação das flores, do amor e de garotinhas de vestido curtos e floridos, eu hoje homenageio um dos meus atores mais querido em comédias românticas.

And the Oscar goes to...

Hugh Grant por:

3º lugar: Um lugar chamado Nothing Hill


2º lugar: Nove meses


1º lugar: Letra e música


PS: Prometo que semana que vem tudo volta ao normal, relaxa

19.9.08

Parabéns, Brazucah!

Nesse mês de setembro de 2008, a Brazucah está completando 6 anos de existência e eu não poderia deixar de fazer um post de aniversário. Parabéns à Camila e à Cynthia pelo trabalho de altíssimo nível que elas têm desenvolvido frente à Brazucah! E uma saudação especial também ao Marco pela dedicação ao desenvolvimento da rede. São poucas as pessoas que realmente conhecem o trabalho que a Brazucah desenvolve e o quanto há de amor ao cinema nacional dentro desse projeto.
Digo isso como uma agente Brazucah, cinéfila e amante do produto nacional. Nesse poucos meses que acompanhei esse trabalho como agente, aprendi muito e alimentei um amor que vai ser difícil de largar. Passei de uma simples cinespectadora a uma humilde mobilizadora. E o projeto por trás da Brazucah é muito mais do que isso. É estimular conexões entre o cinema brasileiro e as pessoas. É lutar pela diversidade cultural, por um espaço de discussão, crítica e livre expressão de opinião no meio cultural, intelectual e, principalmente, universitário. E fora isso, possibilitar a ampliação do acesso de quem não frequenta salas de cinema por diferentes dificuldades.
Há muito de belo nessa missão. A Brazucah é a única empresa privada que se propõe a identificar as principais carências do setor cinematográfico e suprir algumas delas. Porque é fácil reclamar da qualidade do cinema nacional, da falta de opções e oportunidades. Já a Brazucah age, criando planos de comunicação para a formação de publico para o cinema brasileiro. Não é simples e é uma parte importante da identidade brasileira. Por mais que muitas pessoas (ignorantes) subestimem.

Brazucada carioca e paulista

Por isso, eu parabenizo todo mundo que faz parte da rede, incluindo os agentes e colaboradores. Porque eu sei que, por mais que para muito de nós isso seja um grande hobby, por outro lado, é um serviço feito com uma força de vontade que poucos têm. Espero que a Brazucah cresça mais e mais e desenvolva cada vez mais ações de altíssimo nível. Afinal, a empresa ainda é só uma criança na pré-escola. Ainda há muito a evoluir. Pois eu tenho certeza de que o trabalho da Brazucah é muito mais do que um meio de sobrevivência, é uma paixão sincera.
E abaixo segue o flyer da nossa festa de aniversário:

17.9.08

Momento de reflexão

Final de bimestre fica difícil postar qualquer coisa. Para não deixar o dia de hoje passar em branco, vou postar três frases amplamente reflexivas do nosso (não-tão) idolatrado David Lynch:

“Se você quer pegar um peixinho, pode ficar em águas rasas. Mas se quer um peixe grande, terá de entrar em águas profundas"

“Precisamos remover a negatividade do mundo. A paz não é só a ausência de guerra, é a ausência da semente da guerra, que é a negatividade”

"Eu queria ser um pintor e somente um pintor. Até o dia em que eu estava no meu estúdio pintando um quadro com folhas verdes. Eu olhei para a imagem e vi as folhas se movendo com o vento, o que que me levou ao cinema"

Na boa, Lynch, de onde venho isso é sintoma de loucura ou efeito de algum ilícito. Tem nada a ver com cinema não.

Mais pra mais do que pra menos

Se eu alguém mais me disser que o Ensaio sobre a Cegueira, do Fernando Meirelles, é "mais ou menos" vai ter que me dar argumentos convincentes. Eu gostei, ok? E gostei bastante. E parece que as pessoas ficam meio com receio de dizer que gostaram. Todo mundo fica esperando a resposta do outro. Daí alguém solta um "mais ou menos", o outro concorda e assim fica tachado o filme. Muito injusto, ok?
Mas já que vocês insistem tanto... vamos falar dos pontos negativos do filme. Por exemplo, por que, diabos, escolheram o Mark Ruffalo para o elenco? Por quê, meu deus? Por quê? Será que só eu acho ele um cara tão sem-sal-sem-açúcar? Ele mantém a mesma expressão do início ao fim do filme e não estou falando só desse filme! De início dá um pouquinho de dá, "tadinho, ele deve sofrer tanto na vida". Mas, por favor, o Ensaio sobre a Cegueira poderia ser melhor se não fosse por ele. Vamos combinar.
Agora quero só que imaginem como deve ser difícil fazer uma produção tão abstrata e ainda de um best-seller do Saramago. Todo mundo sabe que sempre chovem críticas às adaptações de livros, peças e biografias. Certo? Pois o Saramago gostou, ou, ao menos, fingiu que gostou. E, de verdade, eu li o livro e não me frustrei nenhum pouco com o trabalho do Meirelles. , são personagens sem nomes, lugares que podem ser qualquer um, mas que na verdade não existem! São tantas metáforas, críticas e situações reflexivas que poderiam ter se perdido na adaptação cinematográfica. Mas não. Meirelles fez um ótimo trabalho. Dá uma olhada na reação do Saramago ao ver o filme pela primeira vez:

E se liga na apreensão do Meirelles

Em Ensaio sobre a Cegueira, as personagens são complexas e, ao mesmo tempo, não há espaço para expô-las totalmente ao espectador. O nome não importa. A partir daí já fica difícil montar as personagens e não se perder num emaranhado de histórias. Ninguém no filme (e no livro) é mau por ser mau ou bom por ser bom. É verdade sim que o mau é assustadoramente mal. E Gael García Bernal fez um bom trabalho. Está de dar medo. Nada a reclamar também da Juliane Moore.
Muitos acharam o filme forte, deprimente ou com cenas pesadas demais. Talvez seja mesmo. Porém, eu estava esperando pior. Sabe-se que Meirelles cortou algumas cenas por reclamação dos cinespectadores durante os testes de exibição. Principalmente da parte dos estupros. Pesado. Estupro é sempre pesado. A própria palavra já soa grosseira e deprimente. Então não se pode colocar a culpa no diretor ou mesmo no roteirista. É a história. É Saramago.
A fotografia é esplêndida. César Charlone tratou muito bem da dilatação da luz, dos objetos e cenários claros. O resultado é uma produção de fotografia que carrega o próprio caráter do filme. As filmagens foram feitas em São Paulo, Ontario e Montevidéo. Quem conhece São Paulo reconhece as ruas, os viadutos e pontes. No entanto, São Paulo de Meirelles é só mais uma cidade qualquer. Placas em inglês, ruas que poderiam ser em qualquer lugar do mundo. O mundo de Saramago é assim, abstrato, metafórico, simbólico e deprimente.
Preciso deixar registrado também que o ator que interpreta o menininho do filme é a cara do meu irmão caçula, o Guilherme. Se forem fazer uma continuação do filme (deus que me livre) e o Mitchell Nye não topar, bota meu irmão lá. Ninguém vai notar a diferença. Fica a dica.