r dos mortos e A hora do espanto. Tinha sempre a impressão de que crianças dormiam no meu armário e animais mortos-vivos moravam embaixo da minha cama. E, pode soar meio doentio, mas eu realmente adorava a idéia de ouvi-los conversar enquanto estava sozinha no quarto. Até que O iluminado mudou a minha vida. (Nota mental: tema para um próximo post).Eu me lembro de, em pleno verão, enrolar-me até a cabeça no cobertor, tampar os ouvidos com o travesseiro e ficar paradinha, com medo de que "eles" viessem. E assim Kubrick fez com que tudo desde A casa na colina, A bruxa de blair e Uma noite alucinante 3 fosse pura piada. Minhas amigas gritavam e choravam de medo (e ainda o fazem) de qualquer filminho. Já eu, não conseguia sentir quase nada.
Daí veio Sexto sentido e eu voltei a me abalar. Os outros deu só un
s pequenos beliscos. A verdade é que a fórmula criança-esquisita-vendo-coisas tem um poder de efeito consideravel em mim. Recordo-me de coisas que já não sei se existiram ou não, de qualquer forma, são lembranças que mexem com o meu inconsciente; o que todo bom filme de terror deve fazer.Oito anos depois de Sexto sentido, mais especificamente na 31º Mostra Internacional de Cinema, eu li a sinopse de O orfanato, vi o nome de Guillermo Del Toro, e pensei: "Ah, cara, esse filme sim parece valer a pena". Então, enquanto as outras pessoas faziam filas e mais filas para ver filmes bem indicados pela Folha, como Vocês, os vivos, eu fui assistir a uma sessão mais ou menos vazia de O orfanato. E quando falei bem do filme depois, as pessoas me olhavam desconfiadas. Tá, tá, não é lá grande coisa. E só fui descobrir isso quando asssiti ao filme pela segunda vez, nesse final de semana. Porém, tenho que admitir que é um filme pela qual há tempos estava esperando.
O roteiro do espanhol Sergio Sánchez não é lá a coisa mais original do mundo. Casarão mal-assombrado
, crianças com amigos imaginários, segredos macabros, desenhos infantis assustadores, desaparecimento inexplicável, barulhos pertubadores, velhinha caduca, marido cético... Um prato cheio para quem sabe apreciar um bom filme de terror. E é isso... o diretor do filme, o catalão Juan Antonio Bayona, não se permite sair do clichê mas é muito competente no que pretende.A historinha gira em torno de Laura (Belén Rueda) que volta ao orfanato onde foi criada, para assumir uma espécie de retiro para crianças especiais. Daí que coisas estranhas começam a acontecer e o filho dela, Simón (Roger Príncep) desaparece, para o desespero da mãe. A partir daí não tente adivinhar os sustos do filme, só te manterá tenso durante toda a projeção. Afinal, essa é uma das boas sacadas do filme: guardar os sustos para os melhores momentos (e os mais inesperados).
As movimentações de câmera e a fotografia são muito bem trabalhadas. Há elementos pertubadores a la Hitchcock e um sentimento nostálgico tomou conta de mim. Algo no estlio, "se não pode ser tão bom quanto ele, aprenda e faça bom uso, amigo". É o terror puro, a tensão despertada pelo suspense e não por sangue e tripas.
A trilha sonora também é bastante pertinente, num estilo infantil mac
abro. A cena da brincadeirinha "Um, dois, três, bate na parede" é o ponto alto do filme, na minha opinião. Estupendo! Uma das cenas de maior intensidade na história das produções de terror desse século. Há sim, em O orfanato, um ar meio Del Toro, meio Os outros. Há aquela lacuna, típica de O laubirinto do fauno, para agradar aos céticos, permitindo livre interpretação do que é real e imaginário no filme.E, gente, ainda tem a participação superespecial de Edgar Vivar, o senhor Barriga do Chaves, manja? Ah, vai, só essa já te compensa a ida ao cinema numa tarde de quarta, quando é mais barato, combinado?







