
Pois então... eu não deixei de ir ao cinema nessas últimas semanas, claro que não. Queria até fazer um post com minhas notas sobre Pecados Inocentes. Mas elas já estão frias demais na minha mente e o filme não merece um fichamento. Definitivamente. Só digo isso.
Vou falar então sobre um filme brasileiro que está para estreiar dia 25 de julho. Eu assisti uma pré-cabine com o filme nem finalizado ainda. Trata-se de Era uma vez, o novo filme de Breno Silveira, diretor de Dois Filhos de Francisco (sim, aquele fenômeno de bilheteria com a história do Zezé de Camargo & Luciano).
A história é um conto de fadas, como o próprio título indica, de um cara pobretão que mora no Morro do Cantagalo e uma garota riquinha que mora na orla de Ipanema, no Rio de Janeiro. De início tem tudo para ser um romance engraçadinho, com algumas cenas mais chocantes, coisa e tal. Típico da realidade do morro, manja rapá? Mostra bem aquela velha história da dimensão paralela, da terra sem lei, do rapaz bonzinho com ótimas intenções. O filme é lotado de esteriótipos, essa é a verdade. Tem a pobre menina rica, o surfistinha carioca, o ex-namorado escroto, o pai super protetor, o traficante malvado.
É um filme para não levantar grandes reflexões. Não dá para ficar imaginando como um cara que vive numa favela, num ambiente tão hostil, com um passado tão traumatizante, seja tão bonzinho e tão comportado. Já a classe alta carioca é retratada lotada de hipocrisia, de conveniências, corrupção e vícios. Na minha opinião a mocinha (cujo nome esqueci) é só um retrato plano de uma patricinha incompreendida, inconseqüente e que vê no rapaz pobre um espaço de fuga de aventura de risco. É bem aquela história de quem tem tudo, mas quer o que não tem.
Os ambientes representados também são grandes clichês. É o baile funk carioca e o lual para os riquinhos. O único espaço de socialização entre as duas dimensões é a praia. Mesmo que o rapaz pobre vá lá pra trabalhar e a mocinha rica para paquerar surfistinhas e ler (nota para o livro Cidade Partida que a personagem aparece lendo - metalinguagem barata) . O filme em si representa o sonho a la Globo. Eles querem fugir juntos. E tudo teria dado certo. Talvez até o final teria sido menos mal se parasse por aí.
Em geral, o filme é um enorme clichê. Ou pedacinhos de outro filmes batidos no liquidificador e levados ao forno. Tem Carandiru, tem Cidade de Deus, tem Tropa de Elite. Se eu não parasse para reparar nos detalhes que tornam o filme cada vez mais clichê, como o bigode toddynho do mocinho, a estátua de São Jorge na casa do traficante e as tais passagens pra Europa, entre outros, eu não teria ficado tão irritada. Mas eu detesto novela, e isso já eliminou qualquer oportunidade de apreciar Era uma vez.
Tenho que admitir que eu talvez esteja sendo um pouco cruel com a crítica ao filme. Não é o tipo de roteiro que faz o meu tipo, a própria sinopse deixaria claro. Mas é um filme que faz o gosto de boa parte dos brasileiros. Seja por vontade minha ou não. Sinceramente, prefiro que assistam um enlatado brasileiro do que um hollywoodiano de merda. Não que eu seja contra hollywoodianos, do contrário, acho que são os filmes com a melhor produção - proporcional à grana que eles investem.
Sinceramente, acho que o Breno errou feio mesmo foi no final. Ele caiu do Romeu e Julieta. Mas no Romeu e Julieta sem pé nem cabeça. Dava pra fazer uma edição e salvar um pouco o filme. Mas quem sou eu pra optar. Afinal, faço jornalismo, lembra? Acho que agora é só torcer pelo cara, para o público aceitar, senão Era uma vez...
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Acabei de voltar de uma conversa com o Breno, o diretor, e o Thiago, o ator principal. Primeiro, fico feliz que o Breno tenha decidido fazer algumas boas mudanças no filme. E fico mais feliz ainda em saber que existe um dedinho meu e de mais alguns agentes da Brazucah na nova edição que ele fez. E, a propósito, disseram que melhorou bastante o filme.
Fora isso, o depoimento sobre o Breno Silveira sobre o filme me comoveu. Realmente o filme era um sonho pro cara antes de 2 Filhos... e você tem que ver como ele fica empolgado em falar do Era uma vez. Pô, deu até dó.
Nunca neguei que o filme é eficiente no que pretende e o Thiago, como morador na vida real da favela do Vidigal, soube convencer a gente do trabalhão que eles tiveram para filmar. Fiquei até curiosa para ver o making-off.
Bem, só posso desejar sucesso para os dois e que o nosso trabalho de divulgação do filme surta algum efeito. Porque se depender da minha boa vontade, todo mundo teria acesso irrestrito ao cinema, principalmente, ao brasileiro.
É isso, amigos.
05/06/08

