30.6.08

Panorama do Cinema Francês no Brasil III

CANÇÕES DE AMOR (Les chansons d’amour), 2007
César 2008 de Melhor Trilha Sonora Original. Festival de Cannes 2007, mostra "Un Certain Regard"
Comédia musical. As origens de Canções de Amor remetem a um material musical pré-existente: as canções escritas por Alex Beaupain. Os personagens começam a cantar assim que se apaixonam, porque são incapazes de expressar paixão de outra forma. Os cenários, como os apartamentos dos pais, retornam como um coro, com um tom diferente de acordo com o que foi cantado previamente. E assim como numa música, em que certos instrumentos retornam ou desaparecem enquanto outros são adicionados, os personagens secundários dão um ímpeto refrescante à história enquanto outros são eliminados dela. Ismaël perambula sem direção, mas a despeito de tudo continua caminhando. Erwann apressa um pouco seu passo. Já Jeanne é condenada à imobilidade: ela lembra um ponto fixo, pois a tragédia a congela. E Alice anda ao lado de Ismaël, mas ela resolve se afastar do seu caminho para seguir outra história, agora com um rapaz bretão que acaba de conhecer.
Escrito e dirigido por Christophe Honoré. Música por Alex Beaupain. Produzido por Paulo Branco (Alma Films). Com Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Chiara Mastroianni, Grégoire Leprince-Ringuet, Clotilde Hesme. Fotografia por Rémy Chevrin. Montagem por Chantal Hymans. Duração:95 minutos
Meu devaneio:
Louis Garrel interpretando Louis Garrel, como sempre. Mas ele continua lindo. O único homem no mundo que consegue ter um nariz horrível e ser sexy ao mesmo tempo. Mas, sabe, sinceramente, o filme me irritou um pouco. Há erros grotescos. Como, numa cena em que a Ludivine Sagnier aproxima-se da câmera, dá pra ver o carrinho empurrando ela embaixo. Juro que dá pra ver. Sem contar que é um musical, . Eles começam a cantar e um desconforto típico lota a sala. Em algumas cenas que o Louis Garrel aparece cantando na rua, as pessoas normais não escondem sua curiosidade pela gravação. Isso incomoda um pouco, parece que distrai.
Mas preciso admitir que os franceses sim sabem ter uma vida sexual divertida. Vida a três. É uma ótima idéia, não? Sem contar que o final não poderia ser melhor. Preciso admitir também que não gostei das musiquinhas e os atores não têm lá a voz e o ritmo mais agradável do mundo. Tolerância zero também para aquelas legendas estúpidas que o Reserva colocou errado. Aquilo desconcentrou totalmente.
E, depois de Amantes Constantes, tem mais uma vez a dupla romântica do Louis Garrel com Clotilde Hesme. Sorte dela, não é? E pelo menos dessa vez eu consegui me manter acordada durante o filme inteiro. A verdade é que eu teria gostado do filme se ele não fosse musical. Garrel, com aquele jeito meninão de sempre, sabe protagonizar cenas engraçadas. E a verdade é que eu fiquei com água na boca ao vê-lo se pegando com outro cara. Juro. Deixa a gente pensando que, infelizmente, o mundo é assim mesmo. Mas ainda não desisto de tê-lo em minha banheira.



A ÚLTIMA AMANTE (Une vieille maitresse), 2007
Festival de Cannes 2007, Seleção oficial
Drama. Na mundana Paris do século XIX, só se fala no casamento do jovem libertino Ryno de Marigny com a bela e pura Hermangarde, uma flor da aristocracia. Os noivos se amam, porém as más línguas insinuam que Ryno não vai conseguir romper um antigo romance com Vellini, uma cortesã escandalosa, filha de uma duquesa com um toureador. Entre confidências, traições e segredos numa sociedade paralisada pelas convenções, a força dos sentimentos vai provocar os acontecimentos.
Dirigido por Catherine Breillat. Escrito por Catherine Breillat, baseado no no romance "Une vieille maîtresse" de Jules Barbey d’Aurevilly. Produzido por Jean-François Lepetit (Flach Film). Com Asia Argento, Fuad Aït Aatou, Roxane Mesquida, Claude Sarraute, Yolande Moreau. Fotografia por Yorgos Arvanitis. Montagem por Pascale Chavance. Duração : 114 minutos. Lançamento nacional: 27 de junho.
Meu devaneio:
Pra variar, me deixou pensando como poderia ser interessante a minha vida no século XIX. As roupas, as danças, os cabelos. Os homens. Fu´ad Aatou é lindo e apaixonante. Preciso admitir que não vejo graça nenhuma em Asia Argento, a espanhola (na verdade a atriz é italiana) e amante. Ela é vulgar por natureza, fora dos padrões de beleza. Entendo que esse foi o propósito. Vellini feia e Hermenagde bonita. O desejo e a beleza numa relação que aparentemente não faz muito sentido. Mais uma vez Roxane Mesquida está linda. Mesmo loira. Ficou um tanto quanto artificial mas a gente perdoa.
O filme é sobre traição em plena aristocracia francesa. É interessante, no entanto, um pouco cansativo. Tive a impressão de que foi muita enrolação para pouco conteúdo. Dava para cortar trinta minutos de projeção fácil, fácil. As cenas de sexo são convincentes e a relação entre Ryno e Vellini de início parece incompreensível, mas a história explica o dilema do rapaz entre a amante e a esposa. É o refinado e belo contra o vulgar e inquietante. Moral da história: Prefira ser a outra do que a corna.

25.6.08

Panorama do Cinema Francês no Brasil II

O ADVOGADO DO TERROR (L’avocat de la terreur), 2007
César 2008 de Melhor
Documentário. Comunista, anticolonialista, de extrema direita ? Que tipo de convicção move Jacques Vergès ? Barbet Schroeder procede ao inquérito para elucidar o "mistério". No início da carreira deste advogado enigmático : a guerra da Argélia e Djamila Bouhired, a "pasionaria" que carrega consigo a vontade de libertação do seu povo. O jovem homem da lei abraça a causa anticolonialista e se une à mulher. Depois, desaparece por um período de oito anos. Ao retornar, Vergès defende terroristas de todas as cores (Magdalena Kopp, Anis Naccache, Carlos) e monstros históricos como Klaus Barbie. De casos diabólicos em ações Terroristas, Barbet Schroeder acompanha os meandros utilizados pelo « Advogado do Terror », até os confins do político e do judiciário. O cineasta explora, questiona a história do « Terrorismo cego » e revela conexões que provocam vertigem.
Dirigido por Barbet Schroeder. Produzido por Rita Dagher (Yalla Films). Fotografia por Caroline Champetier e Jean-Luc Perreard. Montagem por Nelly Quettier
Duração : 135. Lançamento nacional: 11 de julho
Meu devaneio:
Não, não é aquele filme do Al Pacino. é um documentário mesmo. Primeira ponderação: documentáricos históricos não deveriam ter mais de duas horas de duração. E esse tem. O assunto é interessante. Aliás, você fica abismado quando se vê quase convencido por Vèrges. O cara realmente é macabro. As histórias são uma mais sinistra que a outra.
Eu teria gostado mais se eu tivesse jantado antes, se eu não estivesse morrendo de sono, se não tivesse um senhor a algumas poltronas de distancia roncando um pouco alto e se a madame ao meu lado não estivesse usando o perfume mais doce que já inventaram. Em certa parte do filme minha cabeça parecia que ía estourar. Insuportável. Daí eu abandonei a sala. Faltando uns 20 minutos pro final.
Mas o documentario é muito bom sim. Imagino o trabalho que deve ter dado e, por serem muitas informações, eu gostaria de manjar geopolítica. Teria ajudado muito.


AS AVENTURAS DE MOLIERE, UM IRREVERENTE E ADORÁVEL SEDUTOR (Molière), 2007
Comédia. Em 1644, Molière tem apenas vinte e dois anos. Cheio de dívidas e perseguido pela justiça, ele insiste em encenar tragédias nas quais é inegavelmente mau. Um dia, após ser aprisionado por credores impacientes, desaparece…
Dirigido por Laurent Tirard. Escrito por Laurent Tirard e Grégoire Vigneron. Produzido por Olivier Delbosc e Marc Missonnier (Fidélité Films). Com Romain Duris, Fabrice Luchini, Laura Morante, Edouard Baer, Ludivine Sagnier. Fotografia por Gilles Henry. Montagem por Valérie Deseine. Duração:120 minutos
Meu devaneio:
Fazia muito, mas muito, tempo que eu não via uma comédia no cinema. E muito, mas muito mais, tempo que eu não via uma comédia boa. Algo que não fosse uma comédia romântica hollywoodiana. E ontem... ontem finalmente aconteceu.
Preciso admitir que subestimei o filme de início. Como é um filme de época, eu tenho mania de ficar procurando falhas de roteiro, figurino, essas coisas. No começo eu estava concentrada nisso. Mas depois, eu realmente relaxei e gozei. Há umas cenas hilárias, uns diálogos ótimos e o roteiro em si é bem divertido. Sem contar que quando saio desses filmes sempre fico com aquela nostalgia de uma época que eu não vivi. Por essas e outras que eu amo cinema.

23.6.08

Panorama do Cinema Francês no Brasil I

Bem, o Reserva Cultural está promovendo uma pequena mostra de filmes franceses desde quinta-feira. Eu, simplesmente, achei estupenda a idéia de pagar 20 reais (40 a inteira) para ver 8 filmes. Nesse final de semana já foram três:

SATÃ (Sheitan), 2006
Terror. Uma véspera de Natal, que começa com cinco jovens em uma boate de Paris. Animados com a noitada, eles seguem para uma isolada casa de campo, onde são recebidos por Joseph e Marie, os caseiros. Mas esse não será um Natal qualquer. Durante a ceia, nossos heróis comem, bebem e se divertem tanto, que não notam a diabólica armadilha que se fecha em torno deles. Combinando comédia anárquica, suspense contundente, afiado humor negro e horror sanguinolento, Satã é o primeiro filme de Kim Chapiron afiliado à Kourtrajmé, uma descontraída produtora alternativa, composta por vibrantes jovens cineastas franceses liderados por Vincent Cassel, que produz e estrela como o demoníaco Joseph.
Dirigido por Kim Chapiron. Roteiro de Christian Chapiron e Kim Chapiron. Produzido por Kim Chapiron, Vincent Cassel e Éric Névé. Com Vincent Cassel, Olivier Bartélémy, Roxane Mesquida, Nico Le Phat Tan, Leïla Bekhti, Ladj Ly, Monica Bellucci. Fotografia de Alex Lamarque Montagem de Benjamin Weill. Duração: 87 minutos.
Meu devaneio:
Eu sinto medo de indicar esse filme para qualquer pessoa. Aliás, é só dizer terror e francês na mesma frase que as pessoas parecem ficar meio atordoadas, sabe? Pois eu digo que gostei. Gostei porque estava na linha do que eu sempre espero de um terror francês. Você precisa ir assistir de coração aberto e não se importar em rir bastante de coisas que, talvez, devessem ser assustadoras.
O filme cai sim no ridículo. Mas é um ridículo divertido e até um pouco pertubador. Há os clichês clássicos mas com algumas doses espontâneas de criatividade. No entanto, mesmo com 87 minutos, chega uma hora que o filme cansa. Acho até que algumas cenas seriam dispensáveis porque a gente tem a ligeira impressão de que o pesadelo não vai acabar nunca.
A Roxane Mesquida está gatíssima no filme. Pessoalmente, achei ela meio sem graça. Magrinha demais com um quê de "seiquesougostosa". Tudo bem. Ninguém pode julgá-la mal por isso. No entanto, para esse filme, uns pequenos ajustes seriam bem-vindos. Gostei da trilha sonora e do roteiro meio surrealista. Mas parece que o Kim se esforçou demais por pouca coisa, entende?


O ESCAFANDRO E A BORBOLETA (Le Scaphandre et le Papillon), 2007
César 2008 de Melhor Ator (Mathieu Amalric) e Melhor Montagem (Juliette Welfling). Globo de Ouro 2008 de Melhor Diretor e Melhor Filme Estrangeiro. Prêmio de Melhor Diretor e Prix Vulcain de l'Artiste-Technicien (melhor técnico para o fotógrafo Janusz Kaminski) no Festival de Cannes 2007.
* estréia em circuito em 27/06
Drama. A extraordinária história real de Jean-Dominique Bauby, editor da revista ELLE que, aos 43 anos, sofreu um derrame que paralisou todo seu corpo, com exceção do seu olho esquerdo. Preso em um corpo sem movimento, mas completamente lúcido, ele se adapta para contar sua incrível história de vida.
Dirigido por Julian Schnabel. Escrito por Ronald Harwood baseado na obra original de Jean-Dominique Bauby. Produzido por Kathleen Kennedy e John Kilik. EUA/França, 2007. Com Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Max Von Sydow. Fotografia de Janusz Kaminski. Montagem de Juliette Welfing. Duração: 112 minutos.
Meu devaneio:
Gostei muitíssimo desse filme. É simplesmente a história real mais linda que eu já vi. O filme acabou as pessoas ficaram petrificadas em suas poltronas. Muitas estavam com lágrimas nos olhos, o que é perfeitamente plausível. Mathieu Amalric tem uma atuação digna de Oscar, muitissimo comovente.
O incrível é que vendo a história imagina-se que o filme, necessariamente, caia no dramático constante. Mas isso não acontece. Os cortes e os ângulos mostrados tornam toda a projeção muito agradável. Há doses muito bem-vindas de pensamentos bem-humorados e metafóricos. Mas nada de metáforas baratas. Sem lição de moral hollywoodiana. Sem heroização do personagem. Tudo isso fica por conta do cinespectador.
É verdade que em alguns momentos o filme me deixou aflita. Ver alguém que só consegue mexer uma das pálpebras me fez revirar horrores na poltrona. Dá vontade de gritar pelo personagem, às vezes. Dá vontade de ser feliz por ele depois. Extremamente tocante.


LADY JANE (Lady Jane), 2008
* estréia em circuito em 27/06
Policial. Na época em que os Rolling Stones cantavam "Lady Jane", Muriel, François e René, amigos de infância, nascidos nas ruelas populares de Marselha, distribuiam peles roubadas a todas as operárias pobres do bairro. Pararam de roubar depois de matar um joalheiro num estacionamento e, para serem esquecidos, não se viram mais até o dia em que o filho de Muriel é sequestrado… A gangue se refaz então para reunir o dinheiro do resgate.
Dirigido por Robert Guédiguian. Escrito por Robert Guédiguian e Jean-Louis Milesi. Produzido por Agat Films & Cie. Com Ariane Ascaride, Jean-Pierre Darroussin, Gérard Meylan. Fotografia de Pierre Milon. Montagem de Bernard Sasia. Duração: 102 minutos.
Meu devaneio:
Não sou muito fã de filmes policiais. Acho que normalmente eles caem na mesma. Nesse é a tal da vingança. "Vingança clama por vingança". É o que diz o cartaz e o filme. A história é boa sim. Mas não me trouxe nenhuma grande emoção, sabe. Não gostei da performance da Ariane Ascaride. Sei que a personagem é do tipo fria, mas Ariane cai no tipo neutra. Não senti nem compaixão nem raiva por ela. Teve uma hora em que estava tudo meio confuso e quando se explicou foi só um alívio. Sem surpresas. Sem envolvimentos. (E sem explosões de carro ou casas em chamas... saudades do Bruce Willis).

18.6.08

Retrucando Isabela Boscov

Eu não ía comentar sobre o novo filme do M. Night Shyamalan, o Fim dos Tempos (The Happening). Mas eu, realmente fiquei inculcada com a Isabela Boscov, na Veja dessa semana, dizendo que o diretor reacertou seu passo com esse novo filme. Como assim, Isabela? Onde? Sim, chocar e horripilar sem sangue nem vísceras é um feito e tanto para qualquer filme de terror dos dias atuais. No entanto, Fim dos Tempos passa longe... bem longe.
Desculpa, gente, mas Shyamalan nunca vai ser o "novo Hitchcock". Seus filmes são prepotentes. Essa é a verdade. O cara se acostumou com aquele lance de reviravolta, final-surpresa e agora só consegue esgotar a nossa paciência. A arrogância de que Isabela Boscov fala em sua matéria é latente durante toda a projeção. O cara precisa muito mais do que maneirar na vaidade. O cara precisa aprender a fazer filmes de novo. Não é porque ele acertou uma vez, com Sexto Sentido, que vai acertar sempre com qualquer merda que faça. Shyamalan está em queda. Numa lenta e dolorosa queda. Isso ficou óbvio desde Corpo Fechado. Mas, sinceramente, com A Vila achei que o cara já fosse desistir. Mas não... Sr. Shyamalan é mala demais.
Em Fim dos Tempos, Elliot Moore (Mark Wahlberg) é um professor de Ciências que está em crise com sua esposa, Alma (Zooey Deschanel). Isso porque a mulher tem um quê de galinhazinha mesmo - já diria minha . De repente, pessoas começam a se suicidar e os dois se encontram no centro de uma catástrofe. E quando digo isso me refiro ao filme mesmo. Porque essa crise deles é totalmente impertinente. Chata até.

Só as expressões na foto já indicam a incrível espontaneidade dos atores

Durante a projeção do filme, se eu não tivesse com tanta raiva de Shymalan, me daria um pouco de vergonha alheia, viu. São os personagens, os diálogos, o enredo, o roteiro... Para começar, falta qualidade. Os planos, os cortes... tudo vai em direção à tragédia.
Nem se pode dizer que o filme tem seus altos e baixos ou, como disse Boscov, se perde no final. Tá tudo perdido desde o começo! Cada diálogo clichê, cada explicaçãozinha barata. Não há elemento-surpresa (não que eu tenha visto, ao menos). As personagens são superficiais e os desfechos para as complicações subestimam a inteligência de qualquer criança de sete anos.
Se é de plantas-assassinas que vamos... que tal A Pequena Loja de Horrores? O que, diabos, Shyamalan estava pensando com esse roteiro? É uma ofensa ao cinespectador. São sequências baratas, com suicídios gratuitos, rodeados de diálogos idiotas. A gente ri. Sim, eu ri. E se você ver, vai rir também. Não é por maldade, cara. Aquela cena em que Mark Wahlberg conversa com uma planta foi a mais marcante do filme pra mim. Foi a única em que eu consegui sentir um pouquinho de simpatia pelo cara. Porque de resto o ator é péssimo e o personagem é irritante.
Em geral, todos os atores são péssimos. A garotinha, então, é insuperável! E aquela cara constante de assustada da Zooey Deschanel? Digna de suicídio, viu?
Logo de início, aparece um cara maníaco que cria plantas e explica que são elas que estão mandando substâncias assassinas. Típico, . Só ele sabe. Ninguém mais pensa nos EUA. E, de repente, aparece uma velhinha louca na história. Daí sim fica macabro. Porcamente macabro.
Eu fico mesmo é impressionada com o trabalho de publicidade e distribuição que fizeram com Fim dos Tempos. Nossa, tanto trabalho desperdiçado! Tantas salas que poderiam ser utilizadas para filmes bem melhores ou até para uns mais ou menos. Tô até sentindo aquela brisa suicida batendo...


Não está convencido? Então veja, com seus próprios olhos, o sinal do fim dos tempos

13.6.08

13 indicações para uma sexta-feira 13

Juro que não conheço alguém que tenha assistido mais filmes de terror do que eu.
Meu pai diria que eu tenho a mente fraca.
Eu digo que todo mundo tem um hobby doentio.
Aqui deixo 13 indicações para distintos perfis de espectadores:

1. Carrie, a estranha. Indicado para garotas solitárias que têm algumas idéias macabras na cabeça. Ou para adolescentes que adoram humilhar os coleguinhas esquisitos. Eu adoro. E indico a versão de 76, com a Sissy Spacek e o John Travolta. Em 99 fizeram uma "continuação" que chamaram de A Maldição de Carrie. Péssima.
2. Psicose. Indicado para qualquer um que saiba o que é um bom filme de terror. Por favor, hein. Tem que ser na versão do Hitchcock. Nada dessa versão barata da década de 90. Se nunca assistiu, Hitchcock ensina o que é terror de verdade. Vale a pena.
3. O Iluminado. Indicado para quem é fã de Kubrick e de Stephen King. Ou de qualquer um dos dois separados. Se você for muito moderninho, é provável que não tenha medo. Daí já aproveito para indicar o livro. Que é ótimo. E o filme tem o Jack Nicholson em suas cenas mais clássicas. Só o cara já vale a pena.
4. Entrevista com o Vampiro. Indicado para qualquer grupo de garotas entre 14 e 20 anos que estejam a fim de passar a sexta babando no Tom Cruise, Brad Pitt e Antonio Banderas. E, de quebra, tem a Kirsten Dunst pirralha. Façam brigadeiro - para compensar a falta de homens - e bom filme!
5. A mão assassina. Indicado para grupo de marmanjos que estejam a fim de rir. Juro que não sei por que diabos esse filme me marcou já que é idiota pra caramba. Mas é bem engraçadinho. Ou, ao menos, na época eu achei. Vale o acompanhamento de umas brejas.
6. Poltergeist. Indicado para quem gosta de clássico mesmo. Eu realmente adoro. E indico que assista os três sequências de uma vez. Dá até um pouquinho de medo de assistir TV sozinho depois.
7. Do Inferno. Indicado para quem, como eu é fã da história do Jack, o estripador. Preciso avisar que não é lá um boooom filme. Lembro que quando assisti fiquei meio aterrorizada pela quantidade de sangue que jorra pelo filme. Mas quem viu O Albergue sem fechar os olhos aguenta essa.
8. A Profecia. Indicado para quem gosta dessas coisas mais satânicas da vida. Eu sugiro a trilogia clássica. Uma madrugada só para o filho do diabo. Aposto 20 reais que você rola na cama antes de dormir depois. Tem também a refilmagem de 2006. É legal também, viu. Mas clássico é clássico, né.
9. O filho de Chucky. Indicado para quem vai passar a sexta cuidando dos irmãos/primos. Se eles tiverem até uns 7 anos - e não forem maníacos psicopatas como meus irmãos, eles vão sentir um tantinho de medo a noite e, de quebra, você chora de rir. Porque esse filme é engraçado pra caralho. Chucky é o cara. Adoro aquela risadinha.
10. A casa dos pássaros mortos. Indicado para quem nunca acha os clássico divertidos e está a fim de um terrorzinho mais ou menos. Assim, só pra comer a acompanhante depois. O filme é de 2004 e não é muito popular. Não sei bem o motivo porque até que eu gostei desse filme.
11. À Meia-Noite Levarei Sua Alma. Indicado para a galera mais alternativa e tal. Pra ninguém dizer que não tem filme brasileiro na lista. Se acompanhado de um baseado, dá pra dar umas risadas. Zé do Caixão rlz, mano.
12. Sexta-feira 13. Indicado para grupo de adolescentes que gostam desses massacres que o Jason proporciona. Mas, cara, só assiste o primeiro, tá? As continuações são uma merda.
13. A Hora do Pesadelo. Indicado para quem, como eu, prefere o Freddy ao Jason. Eu gosto de todos, inclusive das sequências. Sou super fã do Freddy.

Outras que valem citar:
- O Drácula de Bram Stoker. Indicado para casais com vinho e pizza.
- A Morte do Demônio. Indicado para quem tem um senso de humor refinado.
- Madrugada dos Mortos. Indicado para aqueles que ainda acreditam nas refilmagens clichês.


Bem, galera, boa sexta-feira 13 pra todo mundo!


E ótimos sonhos...

11.6.08

Before the Devil knows that you´re dead...

10 coisas que eu faria com a minha meia hora no paraíso:
- dançaria uma música com o Frank
- comeria um pouco daquelas nuvens de algodão-doce
- flertaria com os anjos
- trocaria algumas palavras com o Hitchcok
- daria um abraço no Elvis
- tentaria fazer amizade com Nietzsche
- roubaria um beijo do James Dean
- fumaria um com a Janis Joplin
- chutaria a canela de D. Pedro
- contaria uma boa piada pro Mazzaropi

(a verdade é que se existisse paraíso nenhuma dessas pessoas estaria lá)


Pois hoje eu assisti Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto.
No entanto, estou com preguiça de comentar.
De 0 a 10?
7,7. Satisfeito?


Caso não esteja...

8.6.08

Caroline com sete anos

Eu nunca escondi de ninguém que sou uma criaçona na minha paixão, nada retraida, por filmes infantis. Eu simplesmente adoro. Sei todas as músicas do O Rei Leão. E já decorei uns quinze minutos de fala do Alladin. Já perdi as contas de quantas vezes já vi A Princesinha, O Jardim Secreto ou Labirinto do Fauno. Fábulas, contos, histórias fantasiosas estão no topo da minha lista. Eu simplesmente adoro Os Irmãos Grimm e posso assistir mais umas trezentas e quinze vezes A Fantástica Fábrica de Chocolates. São filmes que me deixam sem piscar e muito, muito, muito sonhadora por algumas horas.
Uma boa fábula não pode ser idiota, você não pode lembrar no meio da história de que está assistindo só um filminho infantil que não faz o menor sentido. Um bom filme infantil dá asas à imaginação muito mais do que qualquer filme panacão do Vin Diesel ou do Steven Seagal. Não entendo como meu pai pode achar o filme do Peter Pan idiota e achar TriploX muito lôoooco. Qual dos dois subestima sua capacidade mental? Pufff... nem vou discutir.
Que seja... nesse final de semana levei o Gui, meu irmão caçula, para assistir As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian. Mentira. Eu carreguei ele pra me acompanhar. A sala estava lotada. Fazia muito tempo que não via uma sala do Cinemark de Jacareí tão cheia. Crianças chatas, falantes e bobas por todos os lados. Mas não pude reclamar nada da minha companhia. Graças a Deus, lá em casa, fomos muito bem treinados para assistir filmes. É silêncio e concentração. Cinema é um ritual sagrado, por isso meus irmãos estão na minha lista de companhia prediletas ao cinema. Sem contar que os três menores têm um gosto refinadíssimo para filmes. Tem que ver. Mamãe e eu fizemos um ótimo trabalho.
Pois então... Gui e eu concordamos que essa sequência das As Crônicas de Nárnia é melhor do que o primeiro filme. Apesar de ser um pouco mais longo e cansativo, a história está mais sólida, sabe. Dá pra notar uma evolução nos atores e nos personagens. A Lúcia, por exemplo, está uma mocinha já - parafraseando todas as tias do mundo. Parece que os atores passaram esse tempo entre um filme e outro amadurecendo os personagens e fizeram um ótimo trabalho.
O William Moseley, que faz o príncipe Pedro na tradução brega pro português, está uma graça. Nossa, superpegável. Um homem e tanto. Me deixou com o coração dividido entre ele e o Ben Barnes, que faz o Príncipe Caspian. Lembrei do lindo Ben do Stardust que é outro filme fantasioso que eu gosto bastante e que me fez criar sonhos encantados com o meu Benzinho - péssima essa, hein? Pois então, os dois estão ótimos. E sabe... não é inveja nem nada, mas eu imaginava que a Anna Popplewell, que interpreta a Susan, fosse ficar mais bonita, sabe? Não, realmente ela é bem lindinha sim. Mas eu imaginava melhor. Sei lá, devem ser as bochechas. Odeio pessoas de bochechas - é um trauma pessoal, só olhar na minha cara.
As cenas de guerra são ótimas. Os efeitos especiais e os cenários são lindos. Acho que eu perco toda a minha capacidade de crítica quando assisto a um filme infantil mais ou menos. Só pode. Mas não sei explicar bem o que falta para a série As Crônicas de Nárnia realmente impressionar, sabe? Ela meio que passa abatida entre Indiana Jones e O Homem de Ferro. Sei que os livros escritos por C.S. Lewis são obras-primas da literatura de fantasia. E por mais que Andrew Adamson tenha sido bem mais ousado nessa sequência, ainda falta mais um pouco daquilo que fez as velhas produções da Walt Disney.

Alguém me arranja um príncipe desse? Ah, metade dele também serve.

Desse filme, especificamente, tenho que criticar o romance xoxo entre a Susan e o Caspian e o reaparecimento sem pé nem cabeça do Aslan- que todos nós já sabiamos que iria acontecer, né? E aquela salvação das árvores andantes super me lembrou O Senhor dos Anéis. Porém, até aí a gente perdoa. E fica esperando a próxima sequência para 2010, As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada. Só espero que até lá o Gui não esteja velho e chato demais para me acompanhar no filme. Ops, para eu poder levá-lo para ver o filme, né?

3.6.08

Longe do romance clichê

Não sou uma fã incondicional de filmes de romance, preciso admitir. Mas também é notável que sei apreciar um bom filme de romance. E quando digo bom, a produção tem que ser convincente mesmo. Exijo o melhor porque acho muito fácil fazer um filme fofinho para arrancar algumas lágrimas de crocodilos de pessoas fracas emocionalmente - e talvez eu me inclua nesse, nada seleto, grupo. No entanto, posso contar nos dedos os filmes que me fizeram chorar, mas quando um filme me toca... cara, é pra valer!
Isso aconteceu quinta-feira com Longe Dela (Away from Her). Sim, eu estava de tpm, vulnerável e tristonha. Mas eu preciso dar créditos à primeira e belíssima produção de Sarah Polley. Sempre achei o romance de velhinhos muito convicente. Porque é fácil se ter vinte e tantos anos e se apaixonar loucamente por um cara bonitinho e engraçadinho a la Ashton Kutcher ou Orlando Bloom e dizer que viveu uma história de amor digna de Hollywood. Contudo, você, eu e qualquer pessoa que já teve mais de um relacionamento sabe que passa... tudo passa, amigo. Se não tudo, quase tudo. E sentimentos que não passam, esses relacionamentos que não se destrõem com o tempo são os únicos que merecem minhas palmas ou minhas lágrimas.
Começa que os cenários de Longe Dela foram muito bem selecionados. O enredo é simples e a abordagem é branda, soando sincera. Julie Christie tem uma atuação estupenda no filme, digna de Oscar, ok? Se eu chegar aos 66 anos com a metade da beleza dessa mulher ficarei muito satisfeita. E é uma beleza muito diferente da repugnante Vera Fischer. É uma beleza madura, tenra, meiga. O Gordon Pinsent não fica muito atras não. O cara tá um pitelzinho, para quem sabe admirar uma beleza mais velha, sem essa carinha de dezessete aninhos. De verdade, se eu tivesse trinta anos, eu pegava. Fácil, fácil...
Bem, a verdade é que senti uma inveja enorme da Fiona, a personagem central interpretada por Christie, que sofre de Alzheimer. A doença é triste sim, e é uma realidade não muito distante de várias pessoas que conheço e da minha própria família. Contudo, o filme consegue mostrar um ângulo muito, muito, muito mais doloroso do que já pude imaginar.

Um dia, quero ter 60 anos sendo bem bonitona, ter um marido de dar inveja em qualquer beata, uma casa no campo e esquiar todos os dias. Só isso. Sem a parte do Alzheimer.

Imagine viver mais de quarenta anos com alguém, amá-la, idolatrá-la, dedicar-se a ela, e, aos poucos, ela ir te apagando da mente. Imagine o quanto horrível deve ser a sensação de estar ao lado de alguém que você conhece mais do que ninguém mas que não te reconhece mais! Foi esse pensamento que me dominou durante a projeção e depois. Foi a dor de Grant, marido de Fiona, que me comoveu sincera e profundamente. E, depois disso, passei longos minutos pensando se um dia alguém poderia me amar como Grant - alguém tão bonito quanto, de preferência.
Existe mesmo isso, cara? Sério que alguém vive tanto em favor de outra pessoa e aceita qualquer condição para que ela seja feliz? Alguém pode sofrer tanto por ter que ficar 30 dias longe da amada? E depois aguentaria visitá-la só para assisti-la, de longe, envolvida com outro homem? Existe mesmo isso?
Eu sempre achei que não - e talvez ainda ache. Mas por me convencer do contrário, mesmo que por duas horas, eu chorei. (Ah, só não é pra sair contando pra todo mundo, ok? Foi um ato falho. Logo passou. Então... vamos assistir a um Indiana Jones, aí?)