Acabei de voltar da cabine que a
Brazucah ofereceu do filme
Nossa vida não cabe num Opala. Eu gostei sim. Achei ousado, inovador e uma bela adaptação de teatro para cinema. Tenho confessar que fiquei sim com uma imensa vontade assistir à peça original de Mário Bortolotto, "Nossa vida não vale um Chevrolet" que está
em cartaz. Disseram mesmo que foi uma grande saga o Bortolotto entrar em

acordo com o Di Moretti quanto ao roteiro final do filme. E não sei se eu estava influenciada por essa informação, mas durante o filme consegui sentir esse conflito.
Muitas das cenas terminam com frases de efeito, como acontece constantemente no teatro. Mais do que isso, a troca de quadro... achei o filme bastante teatral. Só a montagem (muito bem feita, por sinal) que deixa escapar esse clima. Destaque também para a trilha sonora composta de blues e rock, típico dos anos 70. Em algumas cenas, a música pareceu ter mais destaque do que a situação ou as falas. Ou vai ver eu que estava envolvida demais.
O filme é um drama familiar dos Castilhos. São irmãos que aceitam o seu destino e carregam o pai como se fosse uma maldição. A dívida que o patriarca deixou marca a vida de cada um e eles não parecem dispostos o suficiente para mudar isso. Um destaque desse filme é a aparição (que se tornou a última) de Derci Gonçalves. São pouco minutos, com a típica personagem gritando palavrões e tirando risadas do público. Quando troca a cena fica sim aquela sensação de saudade. Pois por mais que eu não tenha acompanhado a carreira da Derci, é estranho pensar que ela ainda está ali, na tela, mas ao mesmo nem está mais na Terra. Bem, isso merece outro post...
Pelo que ouvi, as pessoas acharam o filme pessimista demais ou, quem sabe, até provocante. Sim, é provocante. E nada forçado a la Claudio Assis. É um filme jovem, que apostou no fim do maniqueismo e dos finais felizes. Um pouco da ousadia que o cinema nacional precisa para não criar mais uma geração de cinespectadores a la Globo Filmes. Acho sim que essas duas modalidades pode conviver pacificamente sim, mas primeiro é necessário esse espaço para o cinema independente.
Verdade também que o discurso de Reinaldo Pinheiro após o filme me comoveu. Não sei bem se é comoção, mas senti como se eu entendesse o quão fóda é ficar três anos e pouco fazendo um filme e ele sair de cartaz depois de uma semana e ir parar no arquivo do cinema brasileiro. Por isso, meus caros, assistam a
Nossa vida não cabe num Opala. Não por compaixão ao Reinaldo ou ao cinema nacional, mas porque a produção realmente vale a pena. (Ah, gostei bastante da animação do início, só pra constar).
Making of com a Dercy para o filmePS: por que o nome da "Dercy" nos créditos do filme aparece com "i" e no resto do mundo é com "y"?