28.8.08

Piorando sua crise de existência

Pensa que você está num dia de merda. E nem é TPM. Mas você quer outro emprego, quer que as pessoas te dêem atenção e o final de semana nunca pareceu tão longe. Você, excepcionalmente, implora uma companhia para o cinema. Consegue. Daí compra pipoca, coca (não a que realmente precisa) e tem um gatinho na mesma sala que você. No entanto, o filme escolhido é Um Crime Americano, de Tommy O´Haver. E o último desse diretor é o super mamão-com-açúcar Uma Garota Encantada (com a fofíssima Anne Hathamay). Esse tem a Ellen Page, a menina-mulher de Juno. Juno é lindo. Mas a sinopse indica que Um Crime Americano é drama. E sabe, você adora um drama.
Escolhido o filme e a poltrona mal-posicionada na péssima sala do HSBC Belas-Artes, você só quer se distrair. Estava até por dentro das sinopses das críticas, mas... quem dá bola para as críticas? A verdade é que Tommy O´Haver saiu do mundo encantado para o mundo real. E foi realidade demais para a minha sensível quarta-feira, amigos.
O filme conta o caso real de Sylvia Likens, acontecido em Indiana no ano de 1965. Nele, os pais de duas meninas as deixam aos cuidados de Gertrude Baniszewski, uma passadeira de roupas e mãe de seis (?). Jenny e, principalmente, Sylvia (Page) começam a ser maltratadas pela louca mulher. De início são só castigos, depois a violência passa a sair do controle. Alternam-se cenas do tribunal e da história. O roteiro, com depoimentos em 1º pessoa, é estupendo.
A verdade é que Sylvia Likens teve a sorte de virar um filme. No entanto, não são todos os casos que levam a atenção da imprensa. Aliás, são poucos. As atrocidades sofridas por Sylvia são de dar insônia em qualquer um. Nua, espancada, humilhada, a garota passa a ser uma brincadeira para as outras crianças. E é isso o mais chocante do filme. Nem tanto a loucura da mãe, mas a maldade dos filhos, vizinhos e colegas. Há cenas repugnantes e não há como não sentir um enorme instinto vingativo por aqueles que se dizem humanos mas que acabam por torturar e matar uma menininha de 16 anos.
As interpretações de Catherine Keener, como Gertrie, e de Ellen Page, como Sylvia, são espetaculares. É verdade sim que o trabalho de investigação do caso também foi o grande responsável pelo produto final. E queiram saber ou não, O´Haver foi acusado de passar uma versão caramelizada da realidade. Sinceramente, não sei se desejo saber como pode deve ser o real. Tive medo de me informar de verdade sobre o caso. Acho que Um Crime Americano já me revoltou o suficiente com esses e outros casos que já aconteceram e ainda acontecem por aí. O que me dá cada vez mais nojo das pessoas.


Indigesto. Um soco no estômago para alguém, como eu, que tentou sair para achar alguma beleza no mundo. Realista demais para quem gosta de Hollywood. Mas um entretenimento e tanto para quem sabe admirar um bom cinema. Eu disse entretenimento, e não diversão.

27.8.08

À espera de Woody Allen

Sempre que um filme do Woody Allen é lançado é aquele mesmo bafafá. Normalmente, os americanos criticam e os europeus elogiam. E eu me limito a assistir e comentar o óbvio. Eu ainda não assisti a Vicky Cristina Barcelona. E provavelmente vá esperar até o dia 14 de novembro como qualquer mortal brasileira para ver a produção do Woody Allen para esse ano. Mas tem certas coisas que ficam óbvias mesmo sem ler qualquer crítica.
Verdade sim que a crítica especializada vem fazendo pouco caso dos últimos trabalhos de Woody. Mas é fato também que ser woodyalleano é quase como ser quixotesco ou kafkaniano. O cara tem escola, seguidores, então pode fazer o que quiser e Vicky Cristina Barcelona vai ser uma obra de destaque. Senão hoje, daqui a algum tempo. Talvez Woody Allen não tenha mais nenhuma obra-prima como Anne Hall. Aliás, bem provável. No entanto, Woody Allen é Woody Allen. O maior destaque serão sempre os diálogos. Afinal, o enredo nunca foi nada de espetacular, meus caros.
Só acho impossível (ou, ao menos, improvável) que alguém consiga fazer uma total cagada tendo Penélope Cruz, Scarlett Johansson, Rebecca Hall e Javier Bardem no elenco. Podem falar o que quiser. Pouco me importa se o Sr. Allen apenas se aproveitou de sua fama na Europa e acompanhou o fluxo dos financiamentos possíveis que mantivessem o intenso ritmo de cerca de um longa-metragem por ano. É exatamente isso que eu quero. Um longa por ano. De preferência com a Scarlett Johansson sempre que possível. E se for para aparecer só de maio vermelho, melhor ainda.

Enquanto isso...

26.8.08

Eu tenho medo do Mário Bortolotto

"(..) Tem certas pessoas no mundo que não nasceram pra ficar mocozadas. Mas mesmo assim eu quero acreditar. E então insisto e ultrapasso a linha. Já não tenho pra onde voltar. Tem gente que tem um jardim. Ou um papagaio. Ou uma tartaruga. Eu só tenho o hálito frio de um fantasma que diz que não há com o que se preocupar. Então eu não espero que me convidem. Eu furo o bloqueio. Eu não tenho esqueletos no armário. Nem um jardim esperando por mim. Ou um papagaio. Ou uma tartaruga (...)"
Post do dia 24/02/2004 do blog Atire no Dramaturgo, de Mário Bortolotto.



O Wikipedia diz que "Mário Bortolotto é um ator, diretor e dramaturgo brasileiro". Diz que "participou de inúmeros festivais de teatro pelo Brasil, sempre com o Grupo Cemitério de Automóveis, do qual é fundador" e " participa como vocalista e compositor das bandas Saco de Ratos Blues e Tempo Instável".
Pois eu digo mais... digo que o Mário tem peças e textos de uma complexidade incrível e, muitas vezes, dá medo imaginar o que se passa na cabeça dele. Sua escrita agressiva já lhe rendeu acusações de misoginia, misantropia e até mesmo falta de talento. Ouço por aí que é um cara de difícil convivência e sei que foi um purgatório a passagem da sua peça "Nossa vida não vale um Chevrolet" para o filme Nossa vida não cabe num Opala. Mas pela única vez que o vi (cantando na pré-estréia do filme), ele me pareceu um tanto quanto excêntrico. Vi o curta A Cauda do Dinossauro e só digo uma coisa: como ator, Mário é um ótimo cantor. Na projeção, Mário interpreta ele mesmo. Numa conversa com o diretor do curta, fiquei sabendo que grande parte da decoração da cena é formada de coisas do cara mesmo (bem que suspeitei daquele Bukowiski). No fim, é o Mário interpretando ele mesmo.
Sem ofensas, caro Mário. Mesmo porque a clássica resposta de Bortolotto para qualquer crítica minha seria "quer me odiar? Pega a senha e entra na fila". No entanto, não é nada disso. Ao contrário, seria um imenso conhecê-lo qualquer dia. Acho que eu tenho bastante coisa a aprender com você.



"Não é questão de ser instável/ Eu sou mesmo desagrádavel/Eu testo o seu sendo de limite/Por isso não se arrisque/Não sou o que se pode chamar de amigo./Se você insistir em ficar do meu lado/Vai se dar conta do quanto eu sou desagrádavel".

22.8.08

Sugestão para o final de semana

Ontem foi a abertura da 19º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. Comida e bebida à vontade, gente bonita, Alice Braga, Wagner Moura, sobrenomes de peso e gente de importância para a cena cultural paulistana. Depois da chatíssima apresentação, agradecimento, rasgação-de-seda, veio a parte mais esperada (depois do coquetel): os curtas.
Assistimos a cinco ótimos curtas. O primeiro, da mostra Brasil, foi Blackout e é verdade que chamou mais atenção pela participação do Wagner Moura do que pelo resto. Mas merece a pena sim ser visto. O segundo, ganhador da semana da crítica de Cannes, é um canadense chamado Próximo Andar. E eu só digo uma coisa: esplêndido. A qualidade técnica, o realismo, o roteiro. Poxa vida, bom demais.
O terceiro foi um curta do panorama latino americano bem típico mexicano. Café Paraíso tem um forte apelo político-social (como é a idéia do festival desse ano) e foi seguido do brasileiro Mamãe Eu Fiz um Super-8 nas Calças. Brilhante este também. É um minuto de projeção de criatividade sem igual.
A co-produção França-Bélgica Irinka e Sandrinka é uma animação de grande qualidade e originalidade. A história é um pouco cansativa sim. Eu me perdi e cochilei um pouco, no entanto, é muitissimo bem feita. E a seleção fechou com chave-de-ouro com Eu Sou Bob. Muito, muito, muito bom. Divertidíssimo e muito aplaudido ao final.
Na boa, cara, ninguém tem desculpa para não ir ver alguns curtas do festival. É tudo de graça, em vários horários e vários lugares. É só chegar um pouco antes, pegar o ingresso e aproveitar do melhor do curta-metragem brasileiro. Na pior das hipóteses, você não perde nada. E, de quebra, ainda prestigia um produto audiovisual tão pouco difundido no nosso país, que é o curta-metragem.
PS: hoje estarei avaliando os curtas da mostra Br6, no Centro Cultural São Paulo. A Brazucah vai selecionar um curta para levar o prêmio de mil reais e ainda ser passado em algumas faculdades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, entre outros. Responsabilidade grande a minha, hein.

Fica a dica. Bom final de semana e divirtam-se, caros cinespectadores!

21.8.08

Tédio próprio

E depois de algumas semanas de enrolação, eu fui sim assistir ao tal Nome Próprio, de Murilo Salles. Nem estava com muita pressa porque imagino que o filme vá ficar em cartaz mais um mês no Espaço Unibanco, combinado? Pois então... Realizado a partir do livro da blogueira Clarah Averbuck, o filme ganhou o prêmio de melhor filme do Festival de Gramado e eu sempre fui fã da Leandra Leal. Ela deu uma bela emagrecida e está bem gostosinha. E foi disso que o filme usou e abusou.
Acompanhe o roteiro: "A história de Camila, uma jovem mulher empenhada em se tornar escritora. Sua vida é sua narrativa. Camila é intensa, corajosa e quer a sua literatura como um ato de revelação. É um filme sobre a paixão de Camila e seu esforço para bancá-la. Sobre uma personagem feminina que encara abismos e retira disso a força que necessita para existir".
Cara, a verdade é que essa Camila é uma p* mala, ok? Quando ela não está dando em cima de algum mané (ou embaixo também), ela está criando dramas infindáveis para escrever em seu blog. Ok, ok, eu poderia escrever esse roteiro facilmente. Mas chega uma hora que não dá mais. A gente fica esperando ela se jogar da escada, cortar os pulsos ou se enforcar. Sem noção de irritante que a garota consegue ser.
É sempre a mesma história se repetindo, emoções fúteis, passageiras. Que não adiciona nada a ninguém. As cenas são perfeitamente imagináveis e os ângulos das cenas são dos mais diversos. Tem sim um tantinho de pornografia, quase nada de amor e um monte de desespero. É intensidade demais. Festas, drogas, bebidas, palavrões, sexo, caras aleatórios, frases prontas... Camila consegue ser inconsequente e chata ao extremo. Gostosinha, sonhadora, revoltadinha... É um filme sobre o mais íntimo de uma garota clichê. Que pode ser qualquer uma... eu, você, qualquer Camila da vida. É o tipo de filme que grande parte das blogueiras pode falar que: "Tem tuuuudo a ver comigo, menina!"
A verdade é que eu teria ficado bastante satisfeita se alguém matasse a Camala (sic) no final. Ou ela mesma fizesse esse favor por nós, pobres cinespectadores. Não, o filme não retrata a intensidade das pessoas ou a fragilidade da vida. É um cult com pretensões de profundo que na verdade é entediante pra cacete. Só ficam minhas palmas à Leandra Leal (quase o tempo todo nua). A minha conclusão final foi de que eu deveria ter visto o imbatível Richard Gere, em A Caçada. Que por mais clichê que possa ser, não poderia ser pior. Nada poderia ser pior.

18.8.08

19º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo

O 19° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo acontecerá de 21 a 29 de agosto de 2008. O Festival é um ponto de encontro entre a produção latino-americana e internacional, promovendo o intercâmbio de experiências culturais, econômicas e políticas relacionadas ao curta-metragem.
A programação é composta por uma refinada seleção da mais recente produção internacional e latino-americana além da maior projeção anual da produção nacional, tendo atraído aproximadamente 28.000 espectadores em 2007.O evento oferece também diversas expressões do curta-metragem onde se pode ver o mais inovador da produção mundial, retrospectivas, homenagens e curtas-metragens digitais feitos nas periferias das grandes cidades brasileiras.
Sob o tema “Arte e Política” o festival contempla algumas mostras especiais com este foco, como a programação da Carta Branca ao Submarino Vermelho e a de Maio de 68. Os assuntos também servem como guia, realizando uma leitura geral de todos os programas, os quais possuem esses temas muito constantes em suas produções, o que não significa, no entanto, que o Festival seja constituído exclusivamente de filmes dessa classe de idéias.
A programação você confere aqui. Fica a dica.

15.8.08

Se eu fosse um filme...

Hoje eu seria....
Porque você é ainda minha melhor viagem

14.8.08

Top 3 - Filmes melancólicos

Em homenagem à minha melancolia e esse clima de merda de São Paulo, sugiro três filmes para quem quer esvaziar a alma. Não costumo chorar em filmes não, acreditem. Mas esses foram filmes que me pegaram num mal dia:

1- Os anjos de guerra (Edges Of The Lord)
Haley interpreta Romek, um garoto judeu de 11 anos separado da família, pouco antes da deportação de todo o gueto para os campos de extermínio. Escondido dentro de um saco de batatas, ele é levado para um vilarejo, onde é adotado por um casal de fazendeiros. Mas Romek luta contra todas as adversidades, desde o ciúme do filho do casal ao pelotão alemão que fiscaliza o local e desconfia de sua origem. O filme é baseado num caso real.
Com aquele menininho que vê pessoas mortas

2- Uma lição de amor (I am Sam)
Ponto de vista super piegas que eu achei no Wikipedia: "Esse filme trata-se não apenas da luta na justiça de um pai para ter o direito de ter a sua filha de volta, mas mostra também a base sólida que ele construiu ao longo do tempo para criá-la: o amor. Apesar de todas as dificuldades que ele sabia que tinha por se tratar de uma pessoa acometida de autismo, e ter uma consciencia de uma criança de apenas 7 anos, ele não desistiu. Ao longo do filme mostra que a filha, por mais inteligente que fosse não queria ter um conhecimento maior do que o do pai. É um filme emocionante que nos mostra que, acima de todas as coisas, o amor ainda é a melhor forma de lutar pelo que você deseja".

Da época em que a Dakota Fanning não era tão insuportável


3- As cinzas de Ângela
Ângela (Emily Watson), mãe de uma ninhada de filhos, é casada com Malachy (Robert Carlyle), homem que a ama, mas que é cheio de problemas, principalmente com o desemprego e a bebida. Eles decidem ir para Cork, na Irlanda, junto com seus 4 filhos, após a morte prematura de sua filha de apenas 7 anos, mesmo que saibam que o lugar não oferece prosperidade e a maioria da população vive na miséria.

Triste pra caralho

PS: na verdade, se eu assistir hoje, pela milésima vez, o Mufasa morrendo no O Rei Leão não vou conseguir dormir de tristeza a noite.

13.8.08

Três indicações da semana

1- Maria Luisa Mendonça
Linda e super simpática.
"(...) o problema é os filmes que saem de cartaz justamente quando eu decido assistir, o problema é o carro afogar no meio do trânsito, o problema, cara, é a gente nunca ter com quem dividir o guarda chuva". (fala do filme Nossa vida não cabe num Opala)


2- Saco de Ratos
Banda do Mario Bertolotto (dramaturgo e roteirista de Nossa vida não cabe num Opala) que toca um blues muito, muito, muito contagiante (ou vai ver foram as taças de champagne mesmo). De qualquer forma, vale a pena conferir!
"Além dos meus amigos de copo e de cruz / tudo que eu tenho nessa vida é o meu blues"
3- Nossa vida não cabe num Opala
Como prometi para a Maria Luisa ontem, vou fazer o que estiver ao meu alcance para esse filme não sair de cartaz logo na primeira semana. O filme estréia amanhã. Por isso, amiguinhos, confiram esse longa-metragem de Reinaldo Pinheiro. (Com destaques para a trilha sonora e a montagem).

12.8.08

O piolho-da-terra

Você tem que escolher uma figura célebre que admire ou não suporte. E depois fazer um texto descritivo como avaliação da matéria Técnica de Redação, na (não tão) digna Faculdade Cásper Líbero. Eu fui (quase) óbvia em minha escolha...

São duas pessoas em uma. A real e a ficcional. No entanto, com o passar dos anos, a ficcional passou a ser a real e já nem se imagina o que há por trás da máscara de sua personagem. Figura digna de estar em livros de cultura brasileira. Ninguém pode delatá-lo por fazer fama por conta de seus belos olhos azuis ou de seus cabelos loiros. Mesmo porque ele passa longe dessa descrição. Seu maior charme talvez seja o bigode ou, quem sabe, os olhos escuros e ingênuos.
Seus hábitos não possuem requinte ou são exemplos de classe e glamour. Há em seu rosto e vestimentas os traços de sua descendência italiana. Camisa quadriculada e calça, acima do umbigo, que faz pensar que o defunto era mais alto. Seu acessório clássico é um chapéu de palha amassado e, em ocasiões especiais, um lenço amarrado ao pescoço. Seu modo de andar causa estranhamento e seu sotaque só é familiar a quem já tirou leite da vaca. Há muito de caricatural em seu sorriso e seus atos. Dizem que nacionalmente é o que melhor fala a língua do povo.
Sim, parece ter saído de um livro de Monteiro Lobato. Aquele ser desnutrido e lombrigoso, quase sempre de cócoras (para o mundo). No entanto, do mundo real nasceu no circo e no teatro. E a partir da origem humilde, consagrou-se nos ambientes intelectuais. Seu hábitat natural é alguma paisagem do Vale do Paraíba, entre vacas e plantações. Sua casa é de sapé e lama. A ironia de seus atos, na verdade, é apenas um reflexo do que poucos podem ver. Está tão integrado à terra e aos costumes brasileiros que passou a ser a própria personificação destes. Acusá-lo de primitivo não é uma ofensa. Sua postura simples e simpática apaixonou e causou antipatias. Pois não são todos que gostam de sua intensa dose de astúcia popular. Deslocado da elite, sua missão foi divertir as massas. Mesmo com uma mistura de evidência cômica e versatilidade, acusaram-lhe de não ser complexo. Mas, não podemos culpar os coitados. Afinal, são raros os que compreendem o autêntico caipirismo de Amacio Mazzaropi.

Sim, tenho orgulho de ser caipira, mermão

11.8.08

A angústia dos outros

Quando me disseram que o novo trabalho de divulgação da Brazucah seria com O aborto dos outros, de Carla Gallo, eu de cara já me empolguei. Hoje, no Brasil, cerca de um milhão e cinquenta e quatro mil mulheres abortam. Sim, é de chocar qualquer um. Uma média perturbadora, um tema perturbador um filme perturbador.
É impossível para uma mulher não ficar angustiada durante a projeção do documentário. Começa com uma garota de 13 anos que foi estuprada e se descobriu grávida depois. Os detalhes da vida e da angústia da garota e de sua mãe (acompanhadas por felizes ângulos da câmera e frases de muito efeito) fazem subir um frio pela espinha. O processo de aborto é muito mais doloroso do que qualquer um poderia imaginar. Não aparece o rosto mas a garotinha de 13 anos tem muito mais do que uma face, tem uma história e uma angústia. E sofrer com a personagem torna-se o desafio do cinespectador.
Carla Gallo acompanhou outras histórias de abortos. De casos de crianças com anomalia, de rejeição ou falta de preparação da mãe, entre outras dores. As metáforas são inteligentes e parecem ao acaso. O tema rendeu discussões pós-sessão e meus votos de parabenização sinceros ao trabalho da diretora. São poucos os que têm atitude o suficiente para enfrentar o tema. Confere aí o trailer:


O importante do filme não é discursar a favor ou contra o aborto. O importante, e grande destaque, da produção é o caminho que ele abre para o debate do tema. Um meio de alimentar uma discussão que vem sendo feita a anos. No entanto, enquanto nenhuma decisão é tomada mais e mais mulheres morrem ou passam por situações extremas por conta do nosso estúpido conservadorismo.
Não acho que Carla Gallo queira causar polêmica apenas para vender uma ideologia ou um filme. A bandeira que ela levanta é do espaço para debates e da livre-escolha. Por isso assistir a O aborto dos outros é muito mais um exercício de reflexão e conhecimento social do que de julgamento ou discurso prepotente. Já adianto que a Brazucah estará promovendo pré-estréias em algumas escolas públicas, ongs, estabelecimentos públicos, universidades; entre essas a Cásper Líbero (dia 28/08). Vale a pena conferir!

8.8.08

Quem tem medo do Zé do Caixão?

Hoje estréia o novo filme de José Mojica Marins, o meu idolatrado Zé do Caixão. Para tanto, hoje, eu, Caroline Arice, estarei com uma capa e outras bizarrices divulgando o filme Encarnação do Demônio pela Paulista e pela Augusta das 19 às 24 horas. Como uma agente Brazucah, é tudo pelo cinema brasileiro, não é?
Para quem curtir a trilha sonora do filme, pode baixá-la aqui, pelo myspace do filme.
Meus comentários sobre essa última parte da trilogia do Mojica vocês conferem semana que vem. E na falta de um 666, fiquem com um 8.8.8 (da data de hoje) e vão conferir o novo filme do Zé do Caixão. Caso o contrário, eu mesmo irei amaldiçoá-los. Mas como eu não meto medo nem nos meus irmãos mais novos...



Essa é a praga do Zé do Caixão pra quem não assistir ao novo filme dele. E ele tá falando sério, hein?

7.8.08

Primeiro longa de Reinaldo Pinheiro

Acabei de voltar da cabine que a Brazucah ofereceu do filme Nossa vida não cabe num Opala. Eu gostei sim. Achei ousado, inovador e uma bela adaptação de teatro para cinema. Tenho confessar que fiquei sim com uma imensa vontade assistir à peça original de Mário Bortolotto, "Nossa vida não vale um Chevrolet" que está em cartaz. Disseram mesmo que foi uma grande saga o Bortolotto entrar em acordo com o Di Moretti quanto ao roteiro final do filme. E não sei se eu estava influenciada por essa informação, mas durante o filme consegui sentir esse conflito.
Muitas das cenas terminam com frases de efeito, como acontece constantemente no teatro. Mais do que isso, a troca de quadro... achei o filme bastante teatral. Só a montagem (muito bem feita, por sinal) que deixa escapar esse clima. Destaque também para a trilha sonora composta de blues e rock, típico dos anos 70. Em algumas cenas, a música pareceu ter mais destaque do que a situação ou as falas. Ou vai ver eu que estava envolvida demais.
O filme é um drama familiar dos Castilhos. São irmãos que aceitam o seu destino e carregam o pai como se fosse uma maldição. A dívida que o patriarca deixou marca a vida de cada um e eles não parecem dispostos o suficiente para mudar isso. Um destaque desse filme é a aparição (que se tornou a última) de Derci Gonçalves. São pouco minutos, com a típica personagem gritando palavrões e tirando risadas do público. Quando troca a cena fica sim aquela sensação de saudade. Pois por mais que eu não tenha acompanhado a carreira da Derci, é estranho pensar que ela ainda está ali, na tela, mas ao mesmo nem está mais na Terra. Bem, isso merece outro post...
Pelo que ouvi, as pessoas acharam o filme pessimista demais ou, quem sabe, até provocante. Sim, é provocante. E nada forçado a la Claudio Assis. É um filme jovem, que apostou no fim do maniqueismo e dos finais felizes. Um pouco da ousadia que o cinema nacional precisa para não criar mais uma geração de cinespectadores a la Globo Filmes. Acho sim que essas duas modalidades pode conviver pacificamente sim, mas primeiro é necessário esse espaço para o cinema independente.
Verdade também que o discurso de Reinaldo Pinheiro após o filme me comoveu. Não sei bem se é comoção, mas senti como se eu entendesse o quão fóda é ficar três anos e pouco fazendo um filme e ele sair de cartaz depois de uma semana e ir parar no arquivo do cinema brasileiro. Por isso, meus caros, assistam a Nossa vida não cabe num Opala. Não por compaixão ao Reinaldo ou ao cinema nacional, mas porque a produção realmente vale a pena. (Ah, gostei bastante da animação do início, só pra constar).



Making of com a Dercy para o filme

PS: por que o nome da "Dercy" nos créditos do filme aparece com "i" e no resto do mundo é com "y"?

6.8.08

Conflitos políticos e familiares

Mio Fratello è Figlio Unico é uma canção do italiano Rino Gaetano, popular durante a década de 70 no país, e o título do filme de Daniele Luchetti. O filme venceu alguns dos Donatellos (tipo o Oscar italiano) e marcou presença no Festival de Cannes. O cenário do filme é uma pequena cidade da Itália durante as décadas de 60 e 70. O desenvolver de conflitos familiares permitem a montagem do panorama político da época. Como filme histórico, o roteiro é capaz de dar complexidade às atitudes dos personagens e são eles quem sustentam as histórias e não a narração dos acontecimentos da época - como acontece em muitos filmes históricos.
A narração do filme acompanha o ponto de vista do protagonista, Accio (Elio Germano), que, na adolescencia, inscreve-se num partido fascista, confrontando-se com a tendência comunista da família. A partir daí Accio vai tomar muitas porradas da esquerda e da direita. Seu irmão mais velho, Manrico (Riccardo Scamarcio), militante de causas trabalhistas, marca um conflito intenso com o irmão mais novo. Principalmente, quando Amelia, namorada de Manrico, entra em cena e apaixona o vulnerável Accio.
Destaque para a trilha sonora, composta por sucessos italianos da época, e a atuação dos dois irmãos e da mãe que fazem bem o papel de expôr todas as contradições e conflitos do período, sem deixar de lado os sentimentos dos personagens. Apesar da discussões políticas constantes durante a projeção, o filme não se propõe a responder perguntas de cunho político. No entanto, a troca de lado político de Accio faz pensar a maleabilidade da opinião popular da época e o extremismo a que foram levados alguns.
Meu irmão é filho único é uma metonimia, ao retratar o todo pela parte, o global pelo familiar, contradições políticas por confusões íntimas. Não é todo filme que consegue fazer isso sem cair no mais do mesmo, no piegas ou no óbvio. Acho que fica (mais) uma bela sugestão para a cinematografia brasileira. Então, eis o trailer oficial:



Ah, pois eu acho italiano uma delícia. A língua, digo

4.8.08

Top 13 - Minhas musas do cinema

Não estou falando de talento.
Não estou falando de carreira cinematográfica.
Então eis as minhas musas em ordem de sonho de consumo
e suas mais marcantes aparições:


1. Scarlett Johansson
Filme predileto: Match Point

Porque não tem homem no mundo no nível de tal


2. Eva Green

Filme predileto: Os Sonhadores

Porque minha vida nunca mais foi a mesma


3. Natalie Portman

Filme predileto: Closer

Linda, meiga, inteligente e boa atriz

4. Liv Tyler

Filme predileto: The Wonders

Juro que eu seria feliz com um quarto da beleza dela


5. Lindsay Lohan

Filme predileto: Meninas Malvadas


Ah, mas se eu te pego, menina!


6. Ellen Page

Filme predileto: Juno


O tipo de garota que se eu encontrar na rua dá pra apaixonar


7. Grace Kelly

Filme predileto: Janela Indiscreta

De uma classe e beleza sem igual


8. Elisha Curthbert

Filme predileto: Um Show de Vizinha

Sonho de consumo de pelo menos 9 entre 9,5 homens

9. Marilyn Monroe

Filme predileto: Os Homens Preferem as Loiras

Única e eterna


10. Alexis Bledel

Filme predileto: Sin City

Queria só para colocar de decoração no meu quarto


11. Sandra Bullock

Filme predileto: Miss Simpatia (ou Enquanto Você Dormia?)

Quando crescer quero ser igual a ela


12. Jennifer Love Hewitt

Filme predileto: Um Adolescente em Apuros

Sou fã desde sempre

13. Penélope Cruz

Filme predileto: Volver

Muy caliente!